Sistema Proprioceptivo

 

           Propriocepção é um dos vários sentidos humanos, assim como visão, paladar, olfato, audição, equilíbrio e tato.

A maioria dos sentidos são exteroceptivos, ou seja, fornecem informações ao sistema nervoso central exteriores ao organismo.

Propriocepção é considerado um sentido interoceptivo, que fornece informações conscientes e inconscientes sobre interior do organismo.

           A palavra propriocepção vem da união de proprius, que em latim significa próprio ou de si mesmo, com percepção.

     Nos mamíferos, o cerebelo é a principal área do sistema nervoso central responsável por coordenar as informações proprioceptivas inconscientes, que caminham até ele através do trato espinocerebelar dorsal.

         Nos seres humanos o córtex cerebral é a área para onde vão as informações proprioceptivas conscientes, através da coluna posterior do lemnisco medial.

 

Histórico

        A sensação de posição e movimentação corporal foi inicialmente descrita em 1557 por Giulio Cesare della Scala, um médico italiano defensor do pensamento aristotélico, famoso em sua época por pesquisas relacionadas ao renascimento humanístico, como o “sentido da locomoção”.

          Em 1826, Sir Charles Bell, um cirurgião, anatomista, fisiologista e teólogo natural escocês, expôs suas idéias sobre um “sentido muscular”, assim descrito: o cérebro comanda os movimentos musculares e concomitantemente os músculos enviam informações sobre esses movimentos ao sistema nervoso central. Essa definição é tida como o primeiro exemplo de descrição do mecanismo da retroalimentação, ou feed-back.

       Em 1880, Henry Charlton Bastian sugeriu o nome de cinestesia no lugar de sentido muscular, sugerindo que além dos músculos, outras estruturas como os tendões, as articulações e a pele também seriam responsáveis pelas sensações.

      Em 1906, Charles Scott Sherrington publica o primeiro artigo onde aparecem as palavras propriocepção, interocepção e exterocepção com seus respectivos significados, numa classificação aceita pelos anatomistas e fisiologistas, que então passaram a procurar pelas terminações nervosas que transmitiriam as informações sensitivas sobre os estados de contração muscular, de tensão nos tendões dos músculos e sobre as posições articulares.

        Acredita-se que o sentido da propriocepção é composto de informações fornecidas por neurônios sensoriais localizados na orelha interna, capazes de fornecer informações sobre o movimento corporal e a orientação espacial, além de receptores de distensão localizados em músculos, tendões musculares e cápsulas articulares.

Propriocepção é o que leva a pessoa ao aprendizado de determinados movimentos, que permite ao indivíduo praticar esportes, dançar ou dirigir veículos, por exemplo. Caminhar na escuridão, sem desequilíbrio, é outra tarefa que só é possível pela existência do sentido da propriocepção.

 

Proprioceptores

           A “iniciação” do processo proprioceptivo ocorre a partir da ativação desses receptores, os proprioceptores periféricos. 

 

     Esses receptores incluem extensas terminações sensoriais nas cápsulas e ligamentos articulares, fusos musculares que detectam o nível de extensão do músculo, além de receptores nos tendões.Na cápsula articular e nos ligamentos articulares encontram-se abundantes receptores estimulados a partir da deformação ocorrida nessas estruturas. São as terminações de Ruffini, estimuladas quando há movimento articular. São encontrados também os corpúsculos de Paccini, que se adaptam extremamente rápido e ajudam a detectar a velocidade de movimento articular.A informação destes receptores articulares permite que o SNC monitore continuamente a angulação e a velocidade dos movimentos nas articulações. Podem ser classificados em subgrupos:

           Tipo I

          São encontrados no interior da articulação e informam sobre mudanças na posição articular. É um mecanorreceptor estático e dinâmico, dependendo da posição, pressão intra-articular, e dos movimentos articulares ativos e passivos. Sua adaptação é lenta, sendo ativado em todas as posições articulares, inclusive em repouso. Podem ser ativados também por tato e pressão.

           b. Tipo II

Encontrados na cápsula articular, informam sobre a velocidade do movimento. É um mecanorreceptor dinâmico. Sua adaptação é rápida e não ativa em repouso. É ativado por estímulos mecânicos rápidos e repetitivos.

           Tipo III

Encontrados nos ligamentos, informam sobre posição articular. É um mecanorreceptor dinâmico. Sua adaptação é lenta. É ativado por movimentos extensos ativos ou passivos.

           Tipo IV

Encontrados nas cápsulas articulares, informam sobre condições dolorosas nos tecidos articulares. Sua adaptação é lenta. É ativado por deformações mecânicas.

 

          Receptores musculares

         O controle da função muscular requer a excitação dos músculos pelos neurônios motores dos cornos anteriores da medula e também um contínuo feedback de informações de cada músculo ao sistema nervoso, informando seu estado a cada instante.

     Para fornecer essas informações, operando em nível abaixo da consciência, os músculos esqueléticos são supridos de abundantes receptores sensoriais de estiramento, os fusos musculares, que se distribuem por todo o ventre do músculo e que enviam informações ao sistema nervoso sobre seu comprimento a velocidade do movimento.

         Detectam as modificações no comprimento das fibras musculares extrafusais por contração e enviam essas informações ao SNC, onde se geram reflexos para manter a postura do corpo e regulam as contrações dos músculos envolvidos nas atividades motoras.

        As fibras musculares intrafusais são envoltas por terminações nervosas anuloespirais. Quando há alongamento ou estiramento dessas fibras, as terminações nervosas sofrem deformações e são ativadas.

        As informações sobre as deformações caminham através das fibras nervosas aferentes que fazem sinapse com os grandes neurônios motores do corno anterior da medula, chegam à área somestésica do SNC e voltam aos músculos através dos neurônios eferentes. O estimulo é transmitido às fibras extrafusais e através das placas motoras, se contraem. A esse fenômeno chamamos de reflexo miotático.

        O encurtamento do músculo como um todo alivia o estiramento dos fusos musculares, removendo, portanto o estímulo dos receptores

 

Receptores tendinosos

      O órgão tendinoso de Golgi (OTG) situa-se no interior dos tendões, mais abundantemente nas regiões mais próximas das articulações e transmitem informações sobre tensão aplicada ao ligamento próximo ao ponto de fixação das fibras musculares. Algumas fibras se conectam diretamente com o OTG, que é estimulado quando há estiramento do tendão, na contração muscular.

     Esses estímulos (impulsos aferentes) vão até a medula espinal e excitam os interneurônios inibitórios, que inibem os motoneurônios do músculo em contração, limitando assim a força desenvolvida e que será maior que a tolerada pelos tecidos que estão sendo estirados. Neste ponto agem como "disjuntores" do músculo. Esse fato é chamado de reflexo miotático inverso.

       Em casos de lesões, os receptores podem estar alterados, causando desequilíbrios por encaminharem ao SNC informação diversa da esperada. O cérebro responde enviando respostas motoras na tentativa de equilibrar o corpo.

           Este ciclo equilíbrio/desequilíbrio atua na formação da "memória do movimento".

       Este processo ocorre no SNC porque a informação é integrada com outras que vêm de outros órgãos sensoriais: retina e aparelho vestibular. Esses sentidos são usados para ajustar a localização, tipo, número e freqüência de ativação das unidades motoras, de tal modo que uma apropriada tensão muscular seja desenvolvida para efetuar os movimentos desejados.

         Oliver Sacks, um neurologista inglês que reside e trabalha em Nova Iorque e autor de vários livros que apresentam casos de pessoas com desordens neurológicas, publicou um artigo que apresentava o caso de uma jovem mulher que havia perdido o sentido da propriocepção após uma infecção viral na medula espinal (Sacks O. "The Disembodied Lady", in The Man Who Mistook His Wife for a Hat).

         Em princípio ela perdeu toda a capacidade de realizar apropriadamente movimentos motores, inclusive de controlar sua voz, mas com o passar do tempo ela reaprendeu a andar utilizando apenas sua visão (caminhava olhando para os pés) e recursos do sistema vestibular ajudados pela audição, mas ficou totalmente incapaz de realizar movimentos finos ou de segurar objetos, por exemplo.

     Perdas temporárias, ou diminuição do sentido da propriocepção podem ocorrer em algumas situações fisiológicas ou decorrentes de doenças.

       Pessoas muito cansadas, adolescentes durante a fase de crescimento corporal rápido e situações em que ocorrem rápidas mudanças de peso corporal podem afetar a propriocepção: lipoaspiração, emagrecimento rápido (ou rápido ganho de peso), mudanças musculares repentinas causadas por alguma doença ou por uso de esteróides anabolizantes, por exemplo.

Ataques epilépticos ou migrânea durante a fase de aura podem causar alterações proprioceptivas, provavelmente causadas por estimulações anormais nos lobos parietais cerebrais, que aparentemente agem como integradores proprioceptivos de estímulos vindos de diferentes partes do organismo.

        Alguns fatores medicamentosos, como a sobrecarga na ingestão de vitamina B6, podem causar alterações proprioceptivas temporárias. Quimioterapia, por exemplo, pode causar alterações permanentes na propriocepção.

          Alguns tipos de infecção também podem provocar danos, inclusive irreversíveis.

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