Sistema Límbico

     Foi o neurologista francês Paul Broca, em 1878, quem observou pela primeira vez uma porção de estruturas cinzentas, formadas por núcleos de neurônios, na poção medial do cérebro dos mamíferos, logo abaixo do córtex. Como estas estruturas formam uma espécie de borda ao redor do tronco encefálico, ele as denominou de sistema límbico. O nome vem do latim limbus, que significa círculo.

      O sistema límbico é a porção do SNC (Sistema Nervoso Central) responsável pela regulação das emoções (amor, paixão, alegria, ira, pavor, ódio, tristeza, etc., característicos de mamíferos superiores) e por alguns comportamentos lúdicos (brincadeiras, por ex). Também responde por alguns aspectos da identidade pessoal e por importantes funções ligadas à memória.

    Comanda comportamentos importantes, necessários à sobrevivência, interferindo no funcionamento das vísceras e na regulamentação do metabolismo.

Situa-se na região central/medial do cérebro e comunica-se com o restante do organismo através do sistema nervoso autônomo.

 

As subdivisões do cérebro

     Na evolução do cérebro até atingir sua condição atual, nos seres humanos, partindo dos cérebros dos vertebrados mais antigos, foram sendo acrescentadas novas áreas e novas funções para, atualmente, ser subdividido em três componentes:

 

1 - Cérebro primitivo

      Formado por tronco encefálico (ponte, bulbo e mesencéfalo), cerebelo, globo pálido (mais antigo núcleo da base) e bulbos olfatórios. Corresponde aproximadamente ao cérebro dos répteis e é a porção do sistema nervoso mais responsável pela autopreservação, sede dos instintos, mecanismos de agressão, dos comportamentos repetitivos e dos arcos reflexos, que são comandos que possibilitam algumas ações involuntárias, controle de algumas funções viscerais (cardíaca, pulmonar, intestinal, etc.), indispensáveis à preservação da vida e parte importante do sistema límbico.

         A presença dos bulbos olfatórios e de suas conexões possibilitou precisão para estímulos olfativos e das respostas orientadas por odores, como aproximação, ataque, fuga e acasalamento. Com da evolução dos répteis até aves e mamíferos, essas funções foram sendo perdidas, total ou parcialmente.

 

2 - Cérebro intermediário

     Formado majoritariamente pelas estruturas que compõem o sistema límbico. Corresponde, numa eventual comparação, aproximadamente ao cérebro dos mamíferos inferiores. 

          São seus componentes principais:

         

         Amígdala

         Denomina-se amígdala todo órgão anatômico em forma de amêndoa.

     Na amígdala cerebral, um grupo de neurônios forma uma massa de substância cinzenta (núcleos de células nervosas – neurônios) com cerca de dois centímetros de diâmetro, situada na porção temporal de cada hemisfério cerebral da maioria dos vertebrados. Mantém amplas conexões com o hipotálamo e o restante do sistema límbico.

      Importante centro regulador do comportamento sexual e da agressividade, além de importante para agregar conteúdos emocionais das memórias.

     A retirada das amígdalas causa a Síndrome de Kluver-Bucy (ausência de respostas agressivas, cortesia e curiosidade exageradas, perda da sensação de medo e hipersexualidade). Pode ainda fazer com que o indivíduo perca o sentido afetivo das percepções exteriores (por exemplo, o indivíduo não consegue avaliar se uma experiência vivida, que ele sabe estar ocorrendo, é agradável ou não).

 

          Hipocampo

        Estrutura localizada nos lobos temporais do cérebro e que desempenha um papel fundamental na memória, juntamente com áreas corticais e na organização das experiências vividas de modo a juntá-las de forma coerente em relação ao tempo e espaço.

        Seu nome se deve de seu formato curvado, parecido com um cavalo-marinho (do grego hippos, que significa cavalo e kampi, que significa cavalo curva).

       Parece ser a estrutura do SNC implicada na estocagem da memória, ou seja, na conversão da memória de curto prazo em memória de longo prazo, uma vez que se os hipocampos de ambos os hemisférios cerebrais são destruídos, o indivíduo perde a capacidade de adquirir novas memórias, mas as memórias já existentes permanecem intocadas.

     Quando interage com a amígdala, está envolvido no registro e na decodificação dos padrões perceptuais. Relaciona-se intimamente ainda a outras estruturas infracorticais, como hipotálamo, tálamo etc.

 

         Tálamo

        Um conjunto de diversos núcleos neuronais (anterior, dorsomedial, lateral dorsal e lateral posterior, pulvinar, ventral anterior, ventral lateral, ventral posterior lateral e medial, intralaminares, da linha média, reticulares, geniculados laterais e mediais) com cerca de 1 cm de comprimento situado na profundidade de cada um dos hemisférios cerebrais.

       O tálamo é o local do SNC que contém o maior número de sinapses, ligando neurônios de várias origens e de onde partem inúmeros axônios que se ligam aos centros superiores, principalmente o córtex. Por isso, o tálamo é considerado um centro de organização cerebral. Praticamente, todos os sinais sensoriais ascendentes fazem sinapse nos núcleos do tálamo onde são mediados e enviados ao córtex, exceto os do olfato. O caminho inverso, motor, também passa pelo tálamo.

         Apresenta ainda alguns circuitos de integração dos sinais que chegam até ele. Em conjunto com o sistema reticular do tronco encefálico é encarregado de “filtrar” sinais sensoriais que tem o córtex como destino. Por exemplo, animais decorticados continuam a reagir a estímulos dolorosos. Pessoas com danos em determinadas áreas do córtex ainda conseguem sentir um objeto na palma da mão, embora não identifiquem a forma, a temperatura e o peso.

      A importância dos núcleos na regulação do comportamento emocional possivelmente decorre de conexões com outras estruturas do sistema límbico. O núcleo dorso-medial se conecta com estruturas corticais da área pré-frontal e com o hipotálamo. Os núcleos anteriores ligam-se aos corpos mamilares no hipotálamo e através destes, via fornix, com o hipocampo e ao giro cingulado.

 

          Hipotálamo   

        Região importante na região central do cérebro, localizado sob o tálamo. Tem como principal função a regulação de variados processos metabólicos e das atividades autonômicas. Principal estrutura do sistema neuro-endócrino, sintetiza e secreta vários neuro-hormônios. Promove ainda o controle da secreção dos hormônios da hipófise, estruturas intimamente relacionadas morfológica e funcionalmente, que influenciam funções diversas, mas importantíssimas, como o metabolismo, a reprodução, as respostas aos estímulos agressivos, a produção de urina, etc.

       O hipotálamo também auxilia no controle da temperatura corporal, da fome, da sede e dos ciclos circadianos, além de estar associado a funções relacionadas com emoções e humor. O prazer sexual, a saciedade após uma refeição, a raiva e o medo são comportamentos influenciados pelo hipotálamo.

         Atua ainda sobre diversas glândulas como a tireoide, as suprarrenais, as gônadas (ovários na mulher e testículos no homem) e as glândulas mamárias, por exemplo e mantém vias de comunicação com todos os níveis do sistema límbico através de funções denominadas de neurovegetativas e relacionadas ao comportamento.

 

         Tronco encefálico ou tronco cerebral

        Região interposta entre o cérebro e a medula espinal. Quase todo o tronco situa-se no interior da caixa craniana, ocupando a fossa posterior. Formado pelo bulbo, ponte e mesencéfalo, apenas parte do bulbo encontra-se fora da caixa. Ao tronco se fixa o cerebelo.

        Aí se localizam os núcleos responsáveis por mecanismos homeostáticos básicos, como o ritmo cardíaco, o ciclo sono-vigília, a regulação da respiração e a modulação da sensação de dor.

       Parte dos reflexos ocorre em estruturas localizadas no tronco. As estruturas envolvidas são a formação reticular e o locus cerúleo.

        A maioria dos núcleos dos nervos cranianos situa-se no tronco

 

          3 - Cérebro superior

      É a parte racional do SNC, formado pelo córtex cerebral e alguns grupos neuronais subcorticais. É o cérebro real dos mamíferos superiores, incluindo todos os primatas e, consequentemente, o homem.

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