DTM - Disfunção Temporomandibular

Introdução

 

      A região craniofacial, que é composta pela cabeça e pela face, epidemiologicamente é um local comum de acometimento doloroso.

          Tenta-se explicar tal constatação pela multiplicidade estrutural, pelas amplas interconexões entres essas estruturas e por sua importância para o organismo como sede de vários sistemas. Dor é um fenômeno complexo, que compreende aspectos sensoriodiscriminativo, cognitivo e afetivo. Por suas inúmeras apresentações clínicas e pela complexidade dos sinais e sintomas presentes, além da diversidade de condições que podem desencadear dor nesta região, o paciente portador de dor orofacial e DTM costuma ser um desafio para os profissionais da saúde, que no seu manejo devem proceder a uma anamnese criteriosa e a um exame físico minucioso, que leve em consideração os vários aspectos neuroanatômicos, patofisiológicos e epidemiológicos dessa doença. Também é necessário que se avalie o impacto psicossocial da dor no indivíduo.

 

Definição

 

       Existem inúmeras definições, mas de acordo com a Academia Americana de Dor Orofacial, DTM é um termo coletivo que abrange grande número de problemas clínicos, que envolve a musculatura mastigatória, articulações temporomandibulares (ATM) e estruturas associadas, isolada ou coletivamente.

           A dor crônica craniofacial profunda e a plasticidade neural central são características dos portadores.

 

Sintomatologia

       Os sintomas da DTM podem manifestar-se em várias áreas da cabeça e pescoço: temporais, occipitais, frontais, cervicais e auriculares.

       Muitos pacientes, além da cefaléia ou dor de cabeça simplesmente, aparentemente de origem neurológica, queixam-se de cervicalgia ou dor cervical, que poderia levar o portador a suspeitar de patologia ortopédica, da coluna vertebral, além de vários outros sintomas que, em princípio poderiam ser classificados como das áreas oftalmológica, otorrinolaringológica, etc.

 

      Otalgia, ou dor de ouvido, zumbido, plenitude auricular, tontura ou vertigem e perda auditiva subjetiva. Também é relativamente comum a sensação de incômodo na garganta, que pode chegar até dor à deglutição. Muitos pacientes apresentam ainda dores oculares e sensação de distúrbios visuais de variados padrões.

Influência na postura corporal

        Influência na postura corporalRecentemente percebeu-se que a DTM não influenciava apenas a posição da mandíbula, mas também da coluna, principalmente a cervical, interferindo na unidade biomecânica que compreende todos os segmentos corporais: cabeça, face, região cervical, ombros, braços, tórax, abdômen, região lombar e pernas.

        A observação de que o sistema mastigatório e o sistema de regulação da postura corporal são anatômica e funcionalmente relacionados levou à produção de diversas hipóteses sobre a correlação entre distúrbios oclusais e posturais.

          Uma revisão recente da literatura científica disponível sobre esse tema, cujo objetivo foi analisar criticamente as evidências da correlação entre os distúrbios oclusais e os distúrbios posturais, sugere não serem recomendáveis tratamentos oclusais exclusivos para pacientes portadores de DTM, particularmente se as modificações terapêuticas forem irreversíveis, como os tratamentos ortodônticos, cirúrgicos, protéticos, etc.

         Anormalidades posturais são significativamente mais comuns em pacientes com DTM. Muitos dados estatísticos reforçam essa afirmação. Os resultados de várias pesquisas nessa área sugerem uma relação íntima entre os sistemas locomotor e craniomandibular.

       Diversos estudos buscaram comprovar que pacientes com DTM possuem maior probabilidade de apresentar distúrbios da coluna cervical.  Estes estudos estabeleceram que há íntima interrelação entre estruturas cervicais e orofaciais, justificando o surgimento concomitante de sintomatologia em ambas as áreas. 

 

          Alterações de equilíbrio muscular corporal podem influenciar a posição mandibular, assim como mudanças na postura mandibular exercem influência sobre os músculos cervicais e a postura.

 

Epidemiologia

A população mais freqüentemente submetida a tratamento de DTM é do sexo feminino, com múltiplas queixas de dor crônica desde a infância. A relação mulher/homem é aproximadamente 4:1.

Não existe nenhuma associação aparente com a etnia e a incidência, com relação a idade, é maior nos adultos entre 20 e 50 anos.

 

Diagnóstico diferencial

O melhor critério para diagnóstico de DTM ainda consiste na avaliação da história do paciente e de sua evolução física, comportamental e psicológica. Poucos exames laboratoriais são necessários para ajudar no esclarecimento diagnóstico.Considera-se importante que o paciente passe por avaliações médicas que possibilitem afastar a presença de outras doenças. Assim deveriam ser feitas rotineiramente e tantas quanto forem necessárias, avaliações neurológicas, oftalmológicas, otorrinolaringológicas, etc.

 

Etiologia

      A etiologia da DTM certamente possui caráter multifatorial, incluindo fatores genéticos, fisiológicos, de desenvolvimento, traumáticos, patológicos, ambientais e comportamentais (emocionais e psicossociais). Esses fatores podem ser classificados em:

          a. Fatores predisponentes

          Discrepâncias estruturais, de tamanho ou forma, de estrutura(s) do sistema mastigatório;

          Desordens neurológicas, ortopédicas, respiratórias, vasculares, nutricionais, metabólicas, etc.;

          Infecções e neoplasias;

          Fatores comportamentais: tipo de personalidade e presença de parafunções. 

           b. Fatores precipitantes

          Trauma na região de cabeça e pescoço, iatrogenias, infecções e fatores idiopáticos.

          c. Fatores perpetuantes

          Ciclo da dor e uma combinação de fatores predisponentes e precipitantes. Alteração do controle postural.

 

Conclusão

O atendimento ao paciente portador de DTM deve ser feito por profissional especializado, com conhecimento amplo de várias disciplinas, incluindo o domínio das ciências básicas.A visão geral das condições mais importantes dará ênfase à dor musculoesquelética. Uma situação que tradicionalmente gera a maior controvérsia é a etiologia dentária e oclusal. Já foram determinadas por epidemiologistas, em muitos estudos, que as discrepâncias oclusais, como interferências em oclusão cêntrica e interferência no lado de equilíbrio, não causam necessariamente DTM

 

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